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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CHICO E O MENINO

(Ilustração UESC)
Ontem foi - ou todos os dias é? - dia de São Francisco de Assis. Aquele mesmo que falava com os animais. Aquele mesmo que já era santo antes mesmo de sê-lo. Aquele mesmo que - conta-se - ficou nu na praça como gesto de renúncia aos bens materiais (depois de ter desfrutado esses prazeres) e  vivido na esbórnia com os amigos. Era doidinho, esse camarada! "Louco de Deus".

Por isso, a inesquecível professora, colega, amiga, poeta e também santa, Valdelice Pinheiro, escreveu:

Devagarinho,
no silêncio de uma noite
em plena lua,
moveu os pés,
estirou os braços,
inventou uns poucos trapos
na sacola azul,
disse até logo
a Papai do Céu
e, como um menino,
a mão esquerda
puxando a mão direita
do Menino Jesus,
fugiram, os dois,
da tristeza imóvel dos altares.
Na rua,
partindo o silêncio
dessa noite em plena lua,
cantaram e dançaram
a Liberdade na Alegria
e, felizes,
tocaram fogo na cruz.

Valdelice Pinheiro está com Francisco e o Menino fujão desde 29/08/1993.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SAUDADES DE MIGUEL MARVILLA

Meus alunos são e serão sempre meus professores, por isso acredito que a educação só acontece quando há a troca: todos somos mestres e aprendizes ao mesmo tempo.

Na medida em que vou apontando um caminho meus alunos vão me apontando outros e aí acontece o maravilhamento. Assim aconteceu quando um aluno me apresentou a Miguel Marvilla. Ele era profundo admirador do poeta e me contagiou automaticamente. Me presenteou com o livro "Dédalo". Paixão imediata ao lê-lo e senti-lo em sua força poética. Marvilla passou a ser mais um dos meus amores. Já falei antes - outras postagens - que tenho muitos amores e paixões, todas confessáveis.

Abro o jornal e vejo um texto da querida profª. Ester Abreu Vieira de Oliveira, falando do nosso poeta. Meu coração saltador, teve que ser contido rapidamente para que minha alma não corresse para outros mundos a fim de rever Miguel, meu arcanjo da poesia. Entro no site  
 http://www.tertuliacapixaba.com.br/arquivo/andreia_delmaschio_miguel_marvilla.htm  e leio Enfim, o precipício, belo texto de Andréia Delmaschio, sobre o livro "Dédalo"
 
 Como esse meu texto não é resenha, mas homenagem, declaração de amor e saudade, posto aqui o poema que escrevi em 2006 para Miguel:


CONVERSA COM O “DÉDALO” DE MARVILLA
                                                                                 
Tu mesmo criaste o labirinto perdedeiro
onde preso em silêncios ficaste só
quando tudo parecia perdido.

Não queiras morrer, Dédalo,
sem lembrares a palavra esquecida

(peça faltante para asas voadoras).

Queres fugir para o futuro
mesmo sabendo que teu instante
é agora e aqui.

Colhe o vínculo, sem medo,
que a vida te oferece no hoje
e te manterás nela
em lembramentos de amor
que te farão presente e eterno...

Assim
não te sentirás atado
em teias frágeis
por teres o fio condutor

                        (dado a ti para voares solar).

Não te dês por vencido
porque em teu destino és tu o vencedor.

Se quiseres render-te
faze somente ao Amor
livradeiro dos teus precipícios interiores
dos teus inventos  que sempre trouxeram
dissabores, perseguições, fantasmas mal-criados...

Dédalo
sou o Fio
caminho certeiro
asa que não derrete

                        (nem se acovarda diante do sol).

Vem, confia, desvicia e fica
por fim...
porque sem ti, peregrino,
ficarei também sem mim.

Neuzamaria Kerner 
06/10/2006

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CARTA PARA JUSTINE

Cara Justine.

Quinze de setembro de dois mil e onze.

Há vários dias tento lhe escrever, mas sempre adio sem saber exatamente o motivo da postergação. Talvez eu até saiba... O inconsciente, no entanto, é extraordinariamente protetor em certas situações. Tenho quase certeza de que você sabe do que falo. É possível. Tudo é possível neste mundo nosso de possibilidades. Então, amiga, se é que posso tratá-la assim, fiz alguns malabarismos mentais para driblar o meu inconsciente a fim de deixar emergir pensamentos teimosos que dançavam no meu palco interior e que lutavam bastante para continuarem invisíveis e indecifráveis até o momento em que lhe vi.

Em verdade, esses pensamentos são como seres ou entidades ou sentimentos esdrúxulos que habitam nossas mais abissais regiões. Como nos dão trabalho! O consolo é que eles não estão apenas comigo e com você, mas com todos os seres viventes e pensantes  que desde que “encarnam” já vêm com a carga de raiva, tristeza e medo e suas polaridades como se fosse uma maldição passada de geração em geração.

Pois bem, acompanhei seus últimos e impressionantes passos naqueles dias da transformação compulsória – digamos assim, eufemisticamente. Confesso que no primeiro momento da sua aparição não lhe entendi muito bem. Você deveria estar feliz, afinal estava casando com um homem bom e bonito e que parecia realmente lhe amar. Por que você o rejeitou? Será porque você quis poupar-se ou poupá-lo de dores? Ou  não o amava o bastante para juntos enfrentarem o que estaria por vir? Seu casamento deu uma espécie de prazer – de hora última - à sua irmã e ao seu cunhado que não economizaram dinheiro nem trabalho para que sua festa fosse a mais linda. Perfeita. Sua mãe, pra variar, transbordava o amargor de sempre; seu pai, amoroso e generoso, mas na dele... provavelmente nunca quis se comprometer com a vida. Talvez aí esteja a explicação do comportamento de sua mãe. Os outros parentes, como todos. Sabe, o seu chefe - pobre coitado -, mereceu os desaforos que você corajosamente despejou sobre ele, um carcará hipócrita, fazedor de dinheiro e que nunca se preocupou com as suas questões existenciais – nem com as de ninguém. Nem nunca atentou para os motivos da irreverência contida nas suas peças publicitárias. Creio que naquela hora você vingou todos os desrespeitados nas empresas sem precisar buscar apoio nos famigerados sindicatos de trabalhadores.

Depois da festa pude voltar a me concentrar somente em você, inclusive lembrando-me da cópula – tenho que dizer esse nome sem graça – com o cara contratado pra lhe arrancar um “slogan”. Parecia que você estava com muita raiva porque sobre a terra você o fez derramar o sêmem que não poderia mais frutificar. Inútil semear numa terra infértil. Você humilhou a mãe-terra. Mas não pense que estou lhe julgando, apenas tentando dizer da minha compreensão. Raiva é raiva, irmã gêmea da impotência. Você estava tão impotente como qualquer pessoa que conhece, sente e capta, pelas pontas dos dedos-antenas, as energias do universo, mas com a consciência de que não mais poderia contar com elas, as energias. Definitivamente você estava mais abandonada de si mesma do que nunca. Entendo, de verdade, a sua depressão. A dor que provém da alma dos ossos e dos nossos centros todos inacessíveis por isso incurável. Essa era a sua tristeza. A dor do exilado. A saudade do não-sei-onde. A Melancolia metafórica, mas ao mesmo tempo muito real, que lhe esmagaria sem piedade num futuro bem próximo.

Veja, guardei essa foto sua no momento em que captava as energias.

Justine, a Melancolia carrega o medo nas letras que compõem essa palavra. Melancholia que não agradava nem no latim nem no grego desde quando nasceu e foi registrada em sua certidão já com um significado doloroso: melan(ós) ‘negro’, ‘funesto’, ‘triste’, ‘sombrio’ + cholē ‘bílis’, ‘fel’,’veneno’. Quem não tem medo disso tudo que faz o vivente carregar um fardo pesado e invisível dentro de um exílio imaginário que pune o melancólico por um crime que desconhece ter cometido? Vi você assim, Justine... desnuda literalmente, sendo carregada para o banho sem sentido, pernas que recusavam suportar o corpo, pés sem impulso cósmico para a passada necessária ao minuto seguinte.

Ontem, de novo, pensei em você quando uma amiga me falou que não estava se preocupando com mais nada. Entregava os incômodos ao universo e dizia “tudo passa”. Repetia “tudo passa”. Olhei nos olhos dela e revi os seus. Tudo realmente passa mesmo que seja por cima de nós. Cada ser – humano - tem que viver com seu próprio momento, bom ou ruim, embora alguns procurem e sejam ajudados quando tudo parece nada. Mas não adianta porque nós sabemos o que sentimos. Os outros seres apenas sentem e percebem a si e ao mundo, mas não têm ciência disso. Saber sentir. Saber que sente. Elaboramos o que vemos e sentimos pelo tal do “eu”. É a isso que chamamos de consciência.

Penso no seu criador agora. O deprimido Lars. Ele disse que nascemos com uma sentença de morte, ou seja, a consciência de que a existência tem fim e que ninguém quer ser finito. Em verdade ele usou você para dizer isso ao mundo naquele dia. Muitos não ouviram e preferiram viver na ilusão. Achei muito engraçado, porém verdadeiro, ele dizer que os psicoterapeutas, quando consultados, dizem que a ansiedade e a depressão são perigosas, mas não significam o fim do mundo. No entanto, estão enganados. Redondamente, assim como Terra e Melancolia. Claro que você fez o papel que ele quis. Interessante essa relação entre criador e criatura. Mas você contra-atacou ao tomar consciência de que lutar com o inevitável é mais desgraçado do que tudo.  Aí você entra num invejável estado de serenidade e de ajudada passa a ser ajudadora.

Foi ótima a sua mudança. Lembra de quando você se despe, simbolicamente despojando-se das vestes, e vai andando pelo bosque e deita-se sobre um pedaço significativo de rocha à beira de um rio? Perfeito momento de entrega e conexão com o universo. É isso. A serenidade nasce da aceitação e da entrega. Entenda que falo de aceitação e não de resignação. Num outro dia, distraidamente você se senta na murada dos jardins do castelo e fica balançando as pernas como uma criança que aguarda. Você olha para os longes celestes... e parece nem pensar em nada, em ser nada. Naquele momento apenas é.

Acontece então o já sabido. Tudo o que se passa naquele dia passa sobre você. É o esmagamento literal de tudo. É o fim. Bem que eu queria lhe falar sobre esse fim que não é fim, porém começo (ou recomeço). Mas não sei onde você está agora nem como está.

Vou depositar esta carta sobre uma montanha bem alta, se eu tiver coragem suficiente para escalá-la, e esperar que você a recolha e leia. Não posso ir ao correio ou enviar pela internet porque não tenho o seu endereço exato... Pode ser que as conexões todas tenham caído. Ou pode ser que as conexões todas se iniciem agora.

Antes de finalizar quero agradecer a sua companhia naqueles dias que duraram apenas duas horas para mim e para outros que realmente lhe viram e lhe sentiram. Quando eu crescer, quero ser valente como você apesar de todos os pesares. Também quero dizer que tive um ancestral com o seu nome o que nos faz ter algo em comum. Chamava-se Justinus Kerner, viveu no século XVIII, alemão, poeta, médico que se interessou por um monte de coisas que diziam ser estranhas – porque não compreendiam. Onde você estiver e se por acaso o encontrar, pergunte-lhe sobre A Vidente de Prevorst. Daqui a três dias (18) seria seu aniversário de nascimento, caso estivesse entre nós. Talvez esteja e não saibamos. A gente nunca sabe, amiga.

Um grande abraço cheio da luz que você merece por tudo o que viveu, por tudo o que ensinou.
                                                                                          Neuzamaria Kerner.

P.S. Justine é personagem do filme melancolia, dirigido por Lars Von Trier.











 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MINHA HOMENAGEM A VITÓRIA


VITÓRIA



Chamava-se Guanaani
e as gentes que viviam por aqui
não barganhavam moedas com suas "vergonhas".

Das miríades de pedras-colmeias emergentes das águas de sal
jorravam o mel mais doce
que o doce mel de Salomão.

Quando o desejo gritava por alimento
as mulheres lambiam o manjar abundante que escorria das pedras
- favos fálicos -
e as abelhas, complacentes,
não interrompiam o permanente estado de orgasmo
na fábrica do prazer na ilha-do-mel.

Tudo  era doçura e paz.
Quando os homens queriam mais
deixavam seus corpos boiarem nas águas e as gotas de prazer
conheciam o caminho das bocas esperantes e abertas.

Assim viviam essas gentes
contentes e livres.

Até que num entardecer,
quando o sol buscava o manto do recolhimento,
uma vela branca ao longe as tomou de assombro:
as abelhas e os zangões, em polvorosa,
cobriram de cera os corpos dos homens e das mulheres
para a inevitável batalha com o desconhecido.
Línguas de fogo e cruz invadiram os labirínticos caminhos das colmeias
e destruíram o segredo da doce produção do prazer.

Então, os deuses penalizados com tanta dor
enviaram uma branca pomba
e a instalaram para imperar soberana na Pedra da Penha.

Assim ouvi do eco dessa pedra
os ecos da história que vos narrei.
Creio nela assim como creio neste poema
e nesta Vitória onde me instalei.

                                                       Neuzamaria Kerner
                                                            08/09/2001

VITÓRIA: LINDA DE VIVER!

Não há palavras para descrever tanta beleza!... 

Sinto-me, a cada amanhecer, igual a Diego, personagem de Eduardo Galeano, no pequeno grande conto A FUNÇÃO DA ARTE 1. Ele pediu ao pai que o levasse para conhecer o mar.

"(...) depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajude a olhar!"

Fotos:
                             www.es.gov - Vitória

                                 www.es.gov - Teatro Carlos Gomes

          http://www.es.gov/ - Palácio do Governo


http://www.motohomes.net/ - Trem das Montanhas





http://www.gazetaonline.globo.br/ - Parque da Pedra da Cebola
http://www.es.gov.com/  - Pedra Azul
Santa Tereza - Museu Augusto Ruschi - Os beija-flores vêm...

Domingos Martins (nas montanhas) - foto NMK

sábado, 6 de agosto de 2011

ILUMINAÇÃO

"Ninguém se ilumina sem fazer com que a luz se projete ao seu redor."
                                                                             
                                                                                     (Carlos Baccelli/Ir. José)



quinta-feira, 28 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE E EDUCAÇÃO NA ARENA

Enfim... de novo por aqui e “porraqui”.
Gosto de escrever, mas não tenho a disciplina necessária para o exercício da postagem metódica e planejada, portanto já estou me dando o benefício do perdão.

Minha mente, porém, entra em ebulição quando surpreendo meus olhos se voltando para o passado – bem distante – ao mesmo tempo em que tentam acompanhar o presente. Então a bola ocular está meio dolorida de ficar vesgamente lá e cá, como num jogo de pingue-pongue nas figuras dos desenhos animados. Isso acontece quando fico a par de alguns fatos que me desconfortam. Escrevo. Nessa hora.

Hoje vi na TV uns jovens numa escola pernambucana se engalfinhando, rodeados pela gritaria de colegas que, de acordo com o meu desimportante ponto de vista, deveriam desapartar os gladiadores dos tempos modernos ao invés de incentivar e ainda filmar a luta. Olho para trás e vejo o Coliseu Romano, palco do divertimento sanguinário de alguns e também palco da desgraça de outros: os prisioneiros de guerras ou escravos que, por falta de opção, lutavam entre si ou com animais selvagens para alegrar a plateia de desocupados, cúmplices da desgraça alheia. Olho para o hoje e vejo que a turba continua gritando, em gozos, enquanto colegas se estraçalham no palco da escola.

Na Roma antiga os gladiadores que saíam vivos ganhavam popularidade, troféus e dinheiro. O que ganham os meninos e meninas nesta imensa Roma do presente? Lá atrás as lutas funcionavam para anestesiar a revolta do povo contra os problemas sociais com a política do pão e circo. Aqui - futuro do ontem – o que é oferecido aos equivocados jovens e o que eles ganham para perpetuar a “digladiação”? Melhor seria perguntar: Por que brigam? A resposta provável está na mini Roma do LAR DOCE (?) LAR.

A propósito da política do pão e circo, publiquei no livro Fragmentos de Cristal o poema CARNAVAL:


Quando falta de pão sentirdes
De graça a vós circo darei
Porque se da vida quereis o gozo,
Folia, pois, para vós farei.
Não vos preocupeis no momento...
Se quero matar o pensar vosso,
Pensai sempre no circo
Porque circo vos dar sempre posso.
A mim não culpeis, entretanto,
Se refletir no viver não sabeis,
Mas temo se aprenderdes - confesso,
E a cabeça, por fim, levanteis.
Cachaça e folia, portanto,
Enquanto pensar não podeis...
Por vós penso eu e decido
Que só pão e circo tereis.


Saí de frente da TV para aliviar as vistas e peguei um jornal. Deparei-me com algumas musas num outro tipo de briga, num outro coliseu e numa arena bem diferente: bundas! Isso mesmo. As donas das bundas, esposas ou ex de jogadores de futebol, disputando espaço para as suas bundas. Como todos temos bunda – bonita ou feia – o assunto me desinteressou. Optei pela internet. Vasculhei os jornais online e vi a polêmica que uma emissora de televisão causou ao apresentar garotas, provavelmente menores de idade, imitando a recém desencarnada Amy Winehouse – que Deus a tenha lá! (para não vir puxar meu pé à noite). Li a notícia, alguns comentários e utilizei o oportuno Ctrl C - Ctrl V para embasar (kkk – rio do embasar) essas minhas divagações textuais:

- Acho que sou uma pessoa ultrapassada no tempo e no espaço, mais cultuar uma pessoa como a Amy que é um símbolo do que não se pode e não se deve fazer na vida. Um péssimo mal exemplo pessoal e profissional para as crianças e jovens sendo destaque total em todas as mídias escrita, falada e televisiva em todo o planeta como uma pessoa de bem. Bom... acho que sou um ultrapassado mesmo!!!

- Vamos deixar a hipocrisia de lado e preocupar-nos com moral por inteiro e não para aparecer quando um caso "dá ibope".Vemos crianças drogadas pelas ruas e ninguel vai notificar ninguem, nem crianças, nem pais e muito menos quem alimenta os seus vicios.

- Tenho uma filha de 11 anos e pediria pra morrer se a visse fazendo parte de uma palhaçada desta. Talentosa sim, concordo, mas não foi, não é nem nunca vai ser um exemplo a ser seguido nem imitado.

- Falam tanto para não sermos preconceituosos e olhar a Amy pela sua obra, mas o modelo para as crianças está aí, nítido.

- Nossa "imprensa"... principalmente a TV fica enaltecendo esta cantora que apesar da voz linda...Possuia uma vida totalmente louca...éra uma coitada,viciada,drogada e bêbada! E a rede Globo explorar adolencentes pra ter "ibope" é nojento! Vergonhoso.


Bom, só colei e copiei viu turma? A minha gramática só dá pro meu uso e gasto.

Enfim, nos percebo dentro de uma arena muito maior e mais absurda do que a romana. Não evoluímos. Devemos ser os mesmos que estavam lá, no passado, porquanto agimos igualmente. Lutamos de forma pior do que os animais, visto que estes só o fazem para marcar território ou defender o alimento. Enxovalhamos a raça quando esfregamos nossa bunda na cara do outro, afinal só mostramos o que temos e somos. Quando não protegemos nossas crias da insensatez televisiva ao baixar o nível do que apresenta, igualando porcos e pérolas - em algumas situações -, desamamos. Ao desvalorizarmos a Filosofia, impedimos o outro de aprender a pensar e a discernir. Ao colocarmos – também a escola – as leituras no plano do faz de contas, impossibilitamos o outro de saber o que há além da cortina do palco onde nós mesmos atuamos.

Agora estou indo navegar no youtube ouvir e ver a Amy para entender melhor o porquê de tanta louvação ou execração. Posso contar uma coisa antes de ir? Acho que vou continuar com os meus Zé Ramalho, Elomar, Xangai, Caetano, Beatles, Simon and Garfunkel, Owaldo Montenegro, Marisa Monte, Nana Mouskouri, Yanni... esses já me mostraram a diferença entre o belo e o bonito, entre arte e malabarismo... com esses eu nunca fico “porraqui”porque o pão que me oferecem é o alimento da alma; o circo onde se apresentam é a sala de visita desta vida.