Quem sou eu

quinta-feira, 28 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE E EDUCAÇÃO NA ARENA

Enfim... de novo por aqui e “porraqui”.
Gosto de escrever, mas não tenho a disciplina necessária para o exercício da postagem metódica e planejada, portanto já estou me dando o benefício do perdão.

Minha mente, porém, entra em ebulição quando surpreendo meus olhos se voltando para o passado – bem distante – ao mesmo tempo em que tentam acompanhar o presente. Então a bola ocular está meio dolorida de ficar vesgamente lá e cá, como num jogo de pingue-pongue nas figuras dos desenhos animados. Isso acontece quando fico a par de alguns fatos que me desconfortam. Escrevo. Nessa hora.

Hoje vi na TV uns jovens numa escola pernambucana se engalfinhando, rodeados pela gritaria de colegas que, de acordo com o meu desimportante ponto de vista, deveriam desapartar os gladiadores dos tempos modernos ao invés de incentivar e ainda filmar a luta. Olho para trás e vejo o Coliseu Romano, palco do divertimento sanguinário de alguns e também palco da desgraça de outros: os prisioneiros de guerras ou escravos que, por falta de opção, lutavam entre si ou com animais selvagens para alegrar a plateia de desocupados, cúmplices da desgraça alheia. Olho para o hoje e vejo que a turba continua gritando, em gozos, enquanto colegas se estraçalham no palco da escola.

Na Roma antiga os gladiadores que saíam vivos ganhavam popularidade, troféus e dinheiro. O que ganham os meninos e meninas nesta imensa Roma do presente? Lá atrás as lutas funcionavam para anestesiar a revolta do povo contra os problemas sociais com a política do pão e circo. Aqui - futuro do ontem – o que é oferecido aos equivocados jovens e o que eles ganham para perpetuar a “digladiação”? Melhor seria perguntar: Por que brigam? A resposta provável está na mini Roma do LAR DOCE (?) LAR.

A propósito da política do pão e circo, publiquei no livro Fragmentos de Cristal o poema CARNAVAL:


Quando falta de pão sentirdes
De graça a vós circo darei
Porque se da vida quereis o gozo,
Folia, pois, para vós farei.
Não vos preocupeis no momento...
Se quero matar o pensar vosso,
Pensai sempre no circo
Porque circo vos dar sempre posso.
A mim não culpeis, entretanto,
Se refletir no viver não sabeis,
Mas temo se aprenderdes - confesso,
E a cabeça, por fim, levanteis.
Cachaça e folia, portanto,
Enquanto pensar não podeis...
Por vós penso eu e decido
Que só pão e circo tereis.


Saí de frente da TV para aliviar as vistas e peguei um jornal. Deparei-me com algumas musas num outro tipo de briga, num outro coliseu e numa arena bem diferente: bundas! Isso mesmo. As donas das bundas, esposas ou ex de jogadores de futebol, disputando espaço para as suas bundas. Como todos temos bunda – bonita ou feia – o assunto me desinteressou. Optei pela internet. Vasculhei os jornais online e vi a polêmica que uma emissora de televisão causou ao apresentar garotas, provavelmente menores de idade, imitando a recém desencarnada Amy Winehouse – que Deus a tenha lá! (para não vir puxar meu pé à noite). Li a notícia, alguns comentários e utilizei o oportuno Ctrl C - Ctrl V para embasar (kkk – rio do embasar) essas minhas divagações textuais:

- Acho que sou uma pessoa ultrapassada no tempo e no espaço, mais cultuar uma pessoa como a Amy que é um símbolo do que não se pode e não se deve fazer na vida. Um péssimo mal exemplo pessoal e profissional para as crianças e jovens sendo destaque total em todas as mídias escrita, falada e televisiva em todo o planeta como uma pessoa de bem. Bom... acho que sou um ultrapassado mesmo!!!

- Vamos deixar a hipocrisia de lado e preocupar-nos com moral por inteiro e não para aparecer quando um caso "dá ibope".Vemos crianças drogadas pelas ruas e ninguel vai notificar ninguem, nem crianças, nem pais e muito menos quem alimenta os seus vicios.

- Tenho uma filha de 11 anos e pediria pra morrer se a visse fazendo parte de uma palhaçada desta. Talentosa sim, concordo, mas não foi, não é nem nunca vai ser um exemplo a ser seguido nem imitado.

- Falam tanto para não sermos preconceituosos e olhar a Amy pela sua obra, mas o modelo para as crianças está aí, nítido.

- Nossa "imprensa"... principalmente a TV fica enaltecendo esta cantora que apesar da voz linda...Possuia uma vida totalmente louca...éra uma coitada,viciada,drogada e bêbada! E a rede Globo explorar adolencentes pra ter "ibope" é nojento! Vergonhoso.


Bom, só colei e copiei viu turma? A minha gramática só dá pro meu uso e gasto.

Enfim, nos percebo dentro de uma arena muito maior e mais absurda do que a romana. Não evoluímos. Devemos ser os mesmos que estavam lá, no passado, porquanto agimos igualmente. Lutamos de forma pior do que os animais, visto que estes só o fazem para marcar território ou defender o alimento. Enxovalhamos a raça quando esfregamos nossa bunda na cara do outro, afinal só mostramos o que temos e somos. Quando não protegemos nossas crias da insensatez televisiva ao baixar o nível do que apresenta, igualando porcos e pérolas - em algumas situações -, desamamos. Ao desvalorizarmos a Filosofia, impedimos o outro de aprender a pensar e a discernir. Ao colocarmos – também a escola – as leituras no plano do faz de contas, impossibilitamos o outro de saber o que há além da cortina do palco onde nós mesmos atuamos.

Agora estou indo navegar no youtube ouvir e ver a Amy para entender melhor o porquê de tanta louvação ou execração. Posso contar uma coisa antes de ir? Acho que vou continuar com os meus Zé Ramalho, Elomar, Xangai, Caetano, Beatles, Simon and Garfunkel, Owaldo Montenegro, Marisa Monte, Nana Mouskouri, Yanni... esses já me mostraram a diferença entre o belo e o bonito, entre arte e malabarismo... com esses eu nunca fico “porraqui”porque o pão que me oferecem é o alimento da alma; o circo onde se apresentam é a sala de visita desta vida.