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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SAUDADES DE MIGUEL MARVILLA

Meus alunos são e serão sempre meus professores, por isso acredito que a educação só acontece quando há a troca: todos somos mestres e aprendizes ao mesmo tempo.

Na medida em que vou apontando um caminho meus alunos vão me apontando outros e aí acontece o maravilhamento. Assim aconteceu quando um aluno me apresentou a Miguel Marvilla. Ele era profundo admirador do poeta e me contagiou automaticamente. Me presenteou com o livro "Dédalo". Paixão imediata ao lê-lo e senti-lo em sua força poética. Marvilla passou a ser mais um dos meus amores. Já falei antes - outras postagens - que tenho muitos amores e paixões, todas confessáveis.

Abro o jornal e vejo um texto da querida profª. Ester Abreu Vieira de Oliveira, falando do nosso poeta. Meu coração saltador, teve que ser contido rapidamente para que minha alma não corresse para outros mundos a fim de rever Miguel, meu arcanjo da poesia. Entro no site  
 http://www.tertuliacapixaba.com.br/arquivo/andreia_delmaschio_miguel_marvilla.htm  e leio Enfim, o precipício, belo texto de Andréia Delmaschio, sobre o livro "Dédalo"
 
 Como esse meu texto não é resenha, mas homenagem, declaração de amor e saudade, posto aqui o poema que escrevi em 2006 para Miguel:


CONVERSA COM O “DÉDALO” DE MARVILLA
                                                                                 
Tu mesmo criaste o labirinto perdedeiro
onde preso em silêncios ficaste só
quando tudo parecia perdido.

Não queiras morrer, Dédalo,
sem lembrares a palavra esquecida

(peça faltante para asas voadoras).

Queres fugir para o futuro
mesmo sabendo que teu instante
é agora e aqui.

Colhe o vínculo, sem medo,
que a vida te oferece no hoje
e te manterás nela
em lembramentos de amor
que te farão presente e eterno...

Assim
não te sentirás atado
em teias frágeis
por teres o fio condutor

                        (dado a ti para voares solar).

Não te dês por vencido
porque em teu destino és tu o vencedor.

Se quiseres render-te
faze somente ao Amor
livradeiro dos teus precipícios interiores
dos teus inventos  que sempre trouxeram
dissabores, perseguições, fantasmas mal-criados...

Dédalo
sou o Fio
caminho certeiro
asa que não derrete

                        (nem se acovarda diante do sol).

Vem, confia, desvicia e fica
por fim...
porque sem ti, peregrino,
ficarei também sem mim.

Neuzamaria Kerner 
06/10/2006

Um comentário:

Anônimo disse...

Neuzamaria,

Li o seu poema. Muito lindo. Envie para o caderno Pensar para ver se publicam a sua homenagem. Eu não irei a Bienal, Estou fora. Estou em Quebec.

Abraço Ester

Obrigada pelo elogio de meu texto