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domingo, 5 de abril de 2015

EXPLICANDO AS EVAS

Explicando as Evas

Sempre pensei em escrever sobre as mulheres da Bíblia, embora nunca tenha pensado nisso sob o ponto de vista religioso. Mas eu as pensava como as educadoras, as sábias, as legisladoras, as médicas, as sacerdotisas, as guerreiras, as cuidadoras que foram relegadas pelo afã de algumas sociedades e religiões em adotarem o poder masculino como único e inquestionável, quase que apenas pela questão biológica levando em conta o hormônio masculino - a testosterona - principal responsável pela agressividade num sentido mais amplo.

Claro que não é meu objetivo neste livro entrar pela ciência porque não me debrucei nas teorias para me meter a escrever sobre a progesterona das Evas, mesmo sabendo que esse hormônio feminino as torna mais sentimentais, mais contemporizadoras,mais macias, mais Elas.Também não é meu objetivo polemizar com segmentos religiosos ou propor rasgar sutians nas praças.

O que eu imaginava mesmo era dar voz a quem foi tirada a vez de falar, de defender-se num universo onde o masculino imperava e não reconhecia o poder do feminino. Sabemos que em algumas poucas culturas antigas as mulheres eram respeitadas e consideradas seres indispensáveis para a que a organização dos grupos sociais pudesse ser mantida. Então, quando me percebi como ser pensante, algo me cutucava a observar mais como as mulheres eram tratadas, não só nos textos gerais sagrados, mas em particular nos textos bíblicos que justificava a subordinação das mulheres aos homens. As culpadas por isto ou aquilo, as pecadoras, etc. É só dar uma lidinha sobre as mulheres celtas para ver como elas foram derrotadas pelo cristianismo. É só prestar atenção como ainda, nestes ditos novos tempos, o tratamento a elas funciona.

Desde sempre, portanto, motivos foram criados para justificar a opressão das Evas, embora elas sejam permanentemente fontes de inspiração, porém obrigadas a permanecerem guardadas em seus silêncios. Eu ficava indignada quando lia sobre as histórias femininas apresentadas. Elas silenciavam porque assim deveria ser. No entanto, dentro de mim, elas se explicavam, muitas vezes gritando por socorro. Então, escolhi as que mais me chamaram atenção e resolvi ouvi-las e emprestar-lhes a minha voz de mulher de século XXI: as Evas que, no meu modo de sentir, sempre deram um jeito de trilhar dentro e fora dos jardins corajosamente. Daí nunca terem perdido o famoso lugar de donas do Éden.

Vejam: A mulher de Lot teve nome? O que fez mesmo a mulher de Putifar? Lilith foi banida; Eva tornou-se maldita; Maria, a serva submissa do Senhor; Madalena, aquela que dava a todo o mundo; Betsabá, a que nos deu os Cânticos de Salomão, Jezabel... Por aí vai!

De alguma forma, portanto, em todos os poemas, estamos nós. Evas! Essas mulheres maravilhosas que alguns – equivocadamente - pensam que as direcionam, mas, em verdade, o livro e o livre-arbítrio sempre será delas porque na medida em que as liberto é provável me liberte também ao expor corajosamente alegrias, tristezas, dores, dúvidas, esperanças, reflexões e, acima de tudo, amando mais do que desamando.

Sugiro que leiam com seus “Adãos”, afinal preconceito em poesia não existe.

Boa viagem e boa leitura!

                                                     Neuzamaria












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