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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O APRENDIZ DE AMOR


 
O APRENDIZ DO AMOR
ANTONIO NAHUD JUNIOR, meu querido.
Estou olhando para você neste momento em que  está aprontando-se para  ser reconhecido, mais uma vez, pelo trabalho cultural que desenvolver por todos os lugares onde passa. Agora é em Natal (RN) que receberá o TÍTULO DE CIDADÃO POTIGUAR APROVADO POR UNANIMIDADE NA CÂMARA MUNICIPAL DO NATAL.

Enquanto penso nisso, lembro de uma fala de Jorge Luis Borges: “Que outros se jactem das páginas que escreveram. A mim me orgulho das que tenho lido.” É assim, A. Jr., que sinto sobre os seus textos e sobre a sua linda pessoa: orgulho do que tenho lido de você e em você. Tudo tatuado na minha pele amiga sempre pronta para receber o abraço das suas palavras. Muitas vezes sou abraçada por elas quando vão se inscrevendo em mim no exato momento da leitura de um texto...
O ABISMO

Apelidado pela deusa-morte,
sigo os fios ávidos do labirinto.
Treva e febre.

Garanto-lhe a memória.
Arroubos, porões, esquinas,
fábricas de desaponto e fel.

Catei no obsceno escamas de serpente.
Os cúmulos que me trazem
ao poema.
Assustado. Coxa tatuada com seu nome.
Rendo-me outra vez à sua glória. E vou.
(in Livro das Imagens – capítulo: O aprendiz do amor).

A memória vai avivando e os pedacinhos de papel de suas anotações vão saindo da minha caixa de tesouros: em papeis amarelados guardo muitas das suas crônicas publicadas em jornais diversos (Uma Tarde de Primavera, lembra? Publicada no Jornal A Tarde de Salvador, em 21/06/97). Sou poeta-aventureiro com brincos africanos na orelha e Rilke no coração, sob um altíssimo pinheiro. E pergunto para quem queira ouvir: para onde vai o perfume dos jasmins depois que deixo de senti-lo? Sobre esse cheiro de jasmim eu tenho a resposta, querido: eles ficam rodeando a vida dos que lhe amam.

Mesmo quando você ficou durante tanto tempo andando por outras terras em outros continentes, falando com Saramago, Bloom, Almodovar, Hilda Hilst, Penelope Cruz, Gael Garcia Bernal, Lars Von Trier (in Arte palavraconversando com o Velho mundo) e mandando as notícias, contando das suas saudades, das suas melancolias... muitas vezes querendo voltar para o meu colo de amiga quando as dores inevitáveis eram muito mais valentes do que você. Todos sofremos. O caso é que alguns são melhores atores e não deixam transparecer suas dores. Agora com licença. (in Retratos em Preto & Branco – Contos Góticos de Madrid).Rio muito e sempre ao lembrar o caso no cemitério junto ao túmulo de Baudelaire em Paris. Lembra também desse dia? Outros casos – incontáveis neste espaço virtual-real-social-misturado. E chegavam cartões postais:


Quando você chegava, ao vivo, era só festa no Jd. Savóia, e todo o mundo ia pra lá e todo mundo contava e todo o mundo e todo o mundo cantava e todo o mundo cozinhava no furdunço daquela cozinha e todo o mundo declamava e todo o mundo tocava... Euzner, nossa inesquecível atriz Carla Mendes, Jane Kátia, Jane Hilda, Luciano San Juan, Eliane Sabóia e euzinha encantada com suas histórias do mundo jornalístico e poético e cheio de vida.
Então, meu amigo, celebremos todos esse título com todas as honrarias que você merece. Receba a chave da cidade natalense e abra a porta para nós quando formos lhe visitar para que sejamos sempre os seus seguidores, aprendizes do amor que você sabe ser.

Meu carinho hoje e sempre.















Um comentário:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Fiquei realmente emocionado... Lembrei tantas coisas boas... Não sabia que vc guardava essas recordações... Beijos n'alma, poeta

O Falcão Maltês